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Repassando via e-mail do amigo Resende ...
FEZ-SE O CAOS AÉREO
Diário de Teresópolis 17/8/10
“ COLUNA DE ISIS MÜLLER ”
Acho facílimo voltarmos no tempo para felizes recordações. Na ‘era’ da
VARIG nunca vimos a balbúrdia que hoje se distribui por todos os
grandes aeroportos do país. Lembro-me que junto à VARIG trabalhavam a
Cruzeiro ( que saudades), a VASP e a Transbrasil. Chegávamos no
embarque, tranquilamente, aproveitando os momentos de expectativa para
deliciosos dias de férias. É verdade: essas começavam até mesmo antes
de entrarmos no avião. A voz doce que falava ao microfone, anunciando
a partida dos vôos, preparava os espíritos para as aventuras
programadas nos campos ou nas praias, no Brasil ou no exterior. Era
muito bom! Havia uma calma surpreendente, que abrange todas as
organizações que cumprem seus deveres, e essa suavidade passava de
semblante a semblante de passageiros e tripulantes confiantes e fiéis.
Era bonito de se ver as aeronaves da VARIG, Transbrasil, Cruzeiro
estacionadas nos pátios, embarcando ou desembarcando turistas,
senhores e senhoras a trabalho, crianças carregando ursinhos à mão...
( Não esqueçamos a Panair do Brasil!)
A viagem aérea ainda continha aquele místico aspecto dos anos
cinquenta, quando as mulheres colocavam o melhor vestido, óculos com
cristais nas hastes, um lenço charmoso, para a época, nos cabelos, os
saltos muito altos, a maquiagem impecável, uma frasqueira discreta e
belíssima e para finalizar, duas gotas de ‘Chanel’ nos cantos do
rosto. Os cavalheiros eram distintos, quase sempre em seus ternos
impecáveis, e viviam nas viagens, também, momentos de descontração e
prazer . Invariavelmente a tripulação era simpática; trabalhava
cumprindo normas de segurança responsável. Acidentes com aeronaves
houve em todas as épocas e nós nos lembramos deles como fatalidades
recobertas de luto.
Forçaram a saída da VARIG do mercado; a companhia aérea havia comprado
a Cruzeiro, a princípio, e depois de variações na administração,
continuou a VARIG sendo a ‘Bandeira do Brasil’, nos aeroportos de todo
o mundo. A Transbrasil e a VASP garantiam a circulação e a harmonia na
aviação civil brasileira. Mas, implodiram a VARIG em nome da ganância
de grupos não comprometidos com a eficiência, segurança, humanidade e
tradição.
À época muitos funcionários que, de repente, se viram desempregados de
uma atividade absolutamente específica, entraram em desespero; tinham
família para sustentar. O que fazer? Um grupo deles, uniformizados,
foi a Brasília e ao encontrar a Ministra Chefe do Gabinete Civil,
Dilma Roussef, suplicaram os tripulantes àquela senhora, primeira
pessoa de decisões no governo Lula, que interviesse no desastroso
desmoronamento, pois a situação era urgente, angustiante e agressões
pela falta de opção já se verificavam em vários estados do Brasil.
Nunca nos esqueceremos da forma como andava Dilma Roussef à frente
daqueles trabalhadores, com a cabeça erguida e repleta de soberba (
soberba daqueles que tem tudo e não dão nada a ninguém). Nela não se
via um olhar de piedade e dizendo que a VARIG era ‘devedora’ não faria
absolutamente coisa alguma, para tentar contornar a situação dos novos
desempregados brasileiros. ( Vide as gravações televisivas dos
jornais da época). Os funcionários além de ‘ no olho da rua’,
assistiram sua previdência ser confiscada. A ‘Aerus’, que recebeu
durante tantos anos suas contribuições mensais, não lhes daria mais
nenhum centavo. Como esses profissionais continuariam a viver? Alguns
se suicidaram! Alguém, um dia, vai pagar por isso! Outros vivem na
mais absoluta pobreza! Pouquíssimos conseguiram emprego em outras
companhias de aviação! Muitos não puderam fazer mais nada, pois
pilotar aviões é uma atividade que nos currículos enviados a empresas
de outro gênero, não se enquadra em nenhum setor. Hoje, encontramos
com facilidade pilotos e comandantes, repletos de experiência,
abandonados por aí.
E diante desse enorme absurdo brasileiro vimos a entrada nesse
mercado, das novas companhias, a TAM e a GOL. Aí, então, instalou-se o
caos. Nunca mais os aeroportos voltaram a ser como antes. Os vôos
jamais têm horários confiáveis. As filas são imensas para o chek-in e
o desconforto leva os passageiros ao desespero. Dorme-se pelo chão,
ninguém sabe informar coisa alguma, inventam-se mil desculpas idiotas
para a justificativa dos atrasos. Isso não tem fim, nem nunca terá!
Acabou-se a era dos sonhos e do romantismo das asas de um avião.
Empresas aéreas brasileiras, no terceiro milênio, são traduzidas pelo
sentimento de horror! Pesadelo! Muito, muito medo! Há poucos dias
vimos reportagens nas TVs, de que as tripulações não são respeitadas
quanto às indispensáveis observações de horas de vôo, ou seja, os
aeronautas quase vivem nos aparelhos, voando muito mais do que
deveriam. Do cansaço para tragédias é questão de minutos, ou, talvez,
segundos. Entrevistados disseram que faltam pilotos e comandantes.
Tanto o governo, quanto os proprietários das empresas aéreas não se
importam com os perigos iminentes que envolvem seres humanos em
desastres aéreos; o dinheiro e o lucro são os únicos resultados que
para eles fazem a diferença. Mesmo que seja utópica a minha sugestão,
por que não recriar a VARIG, colocando-a a todo vapor no mercado?
Afinal de contas, bem ou mal ela ainda existe; como um nada, mas ainda
existe. Insisto: por que não investem no retorno da segunda bandeira
do Brasil, que é a VARIG? Está claro que precisamos de aviões e de
tripulação treinada, de veteranos que possam ensinar os mais modernos.
A quem interessou ou interessa o completo enterro da VARIG? Sem a
intenção de inventar um milagre, asseguro que essa seria a solução
para o caos que se instalou nos transportes aéreos brasileiros; o
mundo inteiro já conhece essa nossa situação de décimo mundo! Os
aeroportos do Rio e de São Paulo nada mais são, hoje, do que a velha
Central do Brasil.
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